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Moradores de Tupi Organizam Ato Contra Venda do Horto Florestal.

Moradores do distrito de Tupi e bairros adjacentes realizam no sábado, 4, um ato contra a intenção do governo estadual de vender o Horto Florestal de Tupi. A manifestação é organizada pela associação de moradores daquele distrito, que convidam a população a participar do evento. Até segunda-feira (30), segundo os organizadores, cerca de 300 pessoas já haviam confirmado participação no protesto.

O plano do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de vender o Horto de Tupi foi divulgado com exclusividade pelo Jornal de Piracicaba na sexta-feira, 27. Na reportagem, o secretário estadual de Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou a intenção da venda do espaço, assim como de outras 33 fazendas experimentais existentes em diversos municípios paulistas. A justificativa para o Estado se desfazer do patrimônio é o baixo retorno financeiro obtido pelo governo com a exploração dos espaços, onde é feito o plantio e venda de madeira (pinus e eucalipto), atividades que representaram prejuízo aos cofres públicos ao longo de 2016.

Assim que tomou conhecimento da possibilidade de venda, o aposentado Carlos José Marco da Silva, o Chitão, presidente da associação de moradores daquele distrito iniciou um trabalho com a comunidade para tentar barrar a venda. “Uma sociedade organizada não pode e não vai aceitar isso calada. O Horto Florestal foi uma doação de um morador de Piracicaba ao estado. Se o estado não que mais o espaço como campo de pesquisas, que ao menos devolva ao município, para assim ter uso realmente público”, disse.

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Chitão e Argolini defendem que Horto Florestal permaneça público e aberto (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Chitão destacou o vínculo dos moradores de Tupi com o Horto e apontou as atividades realizadas no local para justificar a permanência do espaço público. “É impossível encontrar alguém de Tupi que não tenha sua infância ligada ao Horto. Além disso, são inúmeros projetos de educação ambiental realizados em parceria com escolas municipais e estaduais, além da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz)”, afirmou. Recentemente, o Educa Trilha, criado em 2015, rendeu o prêmio Destaque Ambiental 2016 na categoria organização pública, promovida pelo Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente).

O líder comunitário contestou a alegação governamental que o Horto representa prejuízo aos cofres do estado. “Já pensou se a moda pega e qualquer prefeitura que entrar em uma dívida decida vender uma praça pública? Reforço que não há dinheiro que pague o lazer, felicidade, tranquilidade que este espaço proporciona a toda nossa população. É justamente por isso que a nossa associação de moradores está empenhada em não permitir esse desrespeito”, afirmou.

Defensor da permanência do Horto como espaço público, o historiador Antônio Carlos Argolini, morador de Tupi, contou que a área de Mata Atlântica foi doada por um fazendeiro ao Estado, como contrapartida pela construção de uma estação de trem em Tupi. “Em 1922, o governo procurava terras para realização de pesquisas no campo, o que foi ao encontro do desejo da comunidade de Tupi em ter um ramal da linha férrea. O trato foi feito, a estação foi erguida – prédio hoje ocupado pelo velório de Tupi – as terras do horto foram doadas ao governo e não podem ser simplesmente vendidas”, afirmou.

ATO — Para chamar a atenção das autoridades e tentar impedir a venda, será realizada no próximo sábado uma caminhada que sairá da praça da Igreja Matriz de São José, em Tupi, com destino ao Horto. A concentração será às 8h, e a organização pede que os participantes levem faixas e cartazes contendo mensagens favoráveis a permanência do patrimônio público e aberto. Foram convidados para participar da caminhada grupos de proteção ambiental e escoteiros, mas suas presenças ainda não foram confirmadas.

 

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